sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Para tirar agrotóxicos dos Alimentos

Claro que é só nas situçãoes de termos acesso aos orgânicos ...
Diante da dificuldade de encontrarmos frutas e verduras orgânicas, aqui vai a receitinha de uma fórmula para deixar de molho os alimentos. A Receita é do Nutricionista Gabriel de Carvalho. O peróxido de hidrogênio que, em solução aquosa, é conhecido comercialmente como água oxigenada, é um líquido claro de fórmula química H2O2, receita:

H²O² em 3% - 20 ml para 1 litro de água

terça-feira, 24 de abril de 2007

A Chegada da Violeta

A idéia da maternidade sempre me rodeou ... Em meu íntimo sentia clamores por uma nova existência, precisava de uma apaziguada em minha transtornada vida. Eis que não planejada, mas muito desejada surge ... atendi ao chamado.
“ Los llamares
La luna llama a la mar y la mar llama al humilde chorrito de agua, que en busca de la mar corre y corre desde donde sea, por muy lejos que sea, y corriendo crece y arremete y no hay montaña que le pare la pechada. El sol llama a la parra, que queriendo se estira y sube. El primer aire de la mañana llama a los olores de la ciudad que despierta, aroma de pan recién dorado, aroma de café recién molido, y los aromas al aire entran y del aire se apoderan. La noche llama a las flores del comalote, ya a medianoche en punto estallan en el río esos blancos fulgores que abren la negrura y se meten en ella y la rompen y se la comen.”
Vieram os enjôos de limpeza, os primeiros 3 meses de guarda e de não dissipar aquela energia tão recente e frágil. Passado isso a boa nova...
“Quando a gente engravida, parece que a gente fica mais perto da natureza, e deseja isso. E parece que toda a natureza conspira a nosso favor. E a gente começa a deixar vir pra fora o nosso melhor, quando nos amam e protegem, e o nosso pior, quando nos ameaçam e ameaçam a nossa cria.” E começou a busca ... muiiitas leituras, pesquisas, exercícios, muito nabo, gergelim preto e ameixa preta que fortalecem os rins, que por sua vez fortalecem a minha tão frágil coluna. Muita coisa nova, e ... 2 corações batendo, existe coisa mais forte ...
O desejo pelo orgânico norteou meus passos. O saber que as coisas podem ser diferentes, que o caminho da maioria não é necessariamente o melhor (aliás comumente não é) alavancou minha busca por um outro modelo de parto, por um outro modelo de gravidez. Fui trilhando uma gravidez de descoberta, descoberta essa que vai além da mudança espiritual, fisiológica e psicológica de todo processo, alia-se a uma descoberta sócio política do – estar grávida - . Descobri o parto protagonizado pela mulher, de fato e de direito, natural, humanizado. Descobri as leviandades e falácias que cercam toda sociedade quando falamos de parto, de nascimento. Descobri que parto hoje em dia é raridade, e que a regra da cesárea imposta pela classe médica acomodada é aceita socialmente. Descobri que é possível ter um parto natural domiciliar resgatando a beleza do gerar vida, e junto com isso incorporar um embate contra hegemônico. Descobri que gravidez não é doença, e que é possível uma grávida ser ativa e saudável, e que médicos (a maioria deles) têm noções de saúde, mas entendem mesmo, é de doença, logo para eles gravidez é doença e deve acabar em cirurgia.
Ah que bom, consegui, descobri ... descobri e tive um parto que foi além de parto ... natural e domiciliar. Foi lindo, emocionante. Cercado de pessoas especiais e isso já basta, ou melhor quase basta, porque dei-me conta que só temos acesso (na maioria das vezes) a todo esse modelo de parto nós ... A classe média, pequena burguesia equipada de computador, telefone, Internet, livros e diplomas. E isso me pesa, me chateia ver que diariamente dezenas de mulheres vêem que algo está errado nos seus encaminhamentos médico-obstétricos e nada podem fazer, não conseguem elucidar o problema. Toda a minha vibração e entusiasmo se abalam, sou, então, acolhida nas palavras do meu querido heterônimo Álvaro de Campos “E é sempre melhor o impreciso que embala que o certo que basta, Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta, E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida..."
E por ai vai ... só quero trazer essa reflexão, pois para mim ela é muito pertinente. Acho importante, mesmo nesses momentos de alta afetividade, que a semente do inconformismo(seja na rebeldia ação direta, seja não consumindo Nestlé) esteja presente.
Sem querer ser Ruy Barboseana, vou continuar ...
Passaram-se 3 meses do nascimento da Violeta, e o atraso da postagem do relato deve ao fato do anterior, pensado, ter se tornado obsoleto diante das minhas reflexões atuais sobre gerar vida (e dentro da perspectiva da humanização “O Como”) ...
Agradeço, de todo coração, a todos que caminharam comigo, cada um tornou-se peça indispensável na realização de uma vontade – e até na descoberta dessa-.
Ao Rodrigo, meu companheiro ... por compartilhar vida na sua forma mais plena;
À Fabi, pelo seu exercício de alteridade constante, não se deixando abalar pelo meu ceticismo e frieza, ao contrário, me acolhendo calorosamente, e ainda, me despertando à afetividade;
À Zeza pelo seu espírito de parteira, contagiante e encorajador;
Ao Ricardo, por fim, por armar o circo, por fazer da Humanização do nascimento uma bandeira de luta.
“Foi no 20 de setembro” a abertura dos trabalhos, depois de um dia de alta sociablididade elas chegaram ... as tais contrações, estávamos nos deitando depois de um dia exaustivo, e aquela noite de sono seria muito importante para me recompor... Nada, sem dúvida nenhuma era chegada a hora, eu relutei ainda um pouco tentei fazer que não era comigo ... mas o Rodrigo me encorajou e disse vamos duma vez e foi ... era em torno de 22h. Deixamos adentrar a madrugada de 21 para ligar pra Fabi, e Zeza e Ricardo ... estávamos seguros e preparados, nos instruímos muiito, e todo desenvolvimento dos trabalhos foi acompanhado atentamente no Parto Ativo. Enquanto isso lavei a louça da janta, já que ia receber visita tinha que deixar tudo em ordem. Achei ótimo estar em casa, tudo que eu queria naquele momento era meu canto ... Na verdade não tínhamos um plano B, por assim dizer. Em torno das 03h chegou a Fabi com seus apetrechos ... as contrações iam ficando mais intensas e freqüentes ... Lembro-me de chamar-me a atenção o fato de que no intervalo das contrações eu nada sentia, coisa de louco ... o maquininha essa do corpo humano heim. Minhas costas começaram a doer muiiito (isso acho que devido ao fato de não ter as 2 últimas vértebras da lombar) a atenção, carinho e o toque da doula foram super importantes. A dor que tive na coluna consigo lembrar até hoje com nitidez. Em torno das 05:30 chegam Zeza e Ric, com mais apetrechos ... eles exitaram um pouco em fazer o exame de toque por acharem que eu estava ligada demais- quem me conhece sabe- assim sou. Resultado ... um pouco mais de 1 hora depois, eu estava com 9 centímetros de dilatação. Ai sim senti minha barriga baixar, e iniciei meu retiro no banheiro, santo templo, banho de horas, reclusão ... o banheiro fora meu espaço de resistência e convivência.
Numa dessas o Ro veio ver como eu estava, e acompanhando a força duma contração rompeu a bolsa ... só nós dois vimos, foi tão mágico. Sai do banheiro e no quartinho do bebê (que ainda era indefinido) já me esperavam todos. Senti aquela vibração celestial, os sinos de Belém (aproveitando a época do natal) ... me embalei pelo Bolero de Ravel, muita dor, muito calor ... compressas das mãos santas da Zeza pedi ao Ricardo a pílula da valentia ... e depois de alguns palpites posicionais veio - num misto de dor e prazer – a nossa menina, a já linda Violeta. Nascida no dia da árvore (há orgulho maior prum papai botânico) ... uma linda flor que esperamos nós perfume esse mundo, e seja cheia de afeto, magia e libertação.